Primeiramente, penso ser importante elucidar o que caracteriza o período contemporâneo, e o fato crucial que os historiadores tem por base utilizar como significativo do que seria a “entrada” em um novo período histórico, é a Revolução Francesa. Em 1789 a França vivenciou uma revolução que serviu de modelo para todas as novas nações ocidentais, no que confere ao âmbito político. Podemos apontar como uma mudança fundamental nas formas de governos após a Revolução Francesa, a gradativa separação entre estado e igreja.
No âmbito econômico no século XVIII, a revolução industrial (manufatura) veio modificar profundamente as relações de trabalho até então existentes. A segunda revolução industrial (maquinofatura),realizada no século XIX, intensificou ainda mais as mudanças ocorridas nas forças produtivas. Foi a desenvolvimento de um novo modo de produção que já estava em gestação desde o século XVI.
Na esteira destes acontecimentos, onde uma nova forma política acompanhada de um novo ciclo econômico, necessitava de uma nova organização social, ou seja, de uma nova concepção de sociedade. Conseqüentemente um novo sistema de ensino, surgirá para responder aos anseios da sociedade que está se formação ante todas estas modificações.
Para suprir estas novas necessidades, a educação ganhou novos conceitos. Tornando-se agora um dever do estado e não obrigação da igreja, sendo assim, torna-se ao mesmo tempo laica, já que agora estado e igreja estão separados.
Levando-se em conta as transformações tanto de ordem tecnológica, fruto da revolução industrial,tanto de ordem do pensamento como o iluminismo, precisou-se reformular o que era ensinado na escola. Aquele método religioso, priorizando a língua latina e culturas da antiguidade, que visava uma formação erudita ,não servia mais a esse período histórico. Fazia-se necessário pensar um currículo que contemplasse uma formação de acordo com as transformações em curso na sociedade. Um sistema de ensino que educasse para o trabalho.E a educação que era oferecida pela estado universal(“para todos”) e gratuita, cumpria essa função.
Neste aspecto de reformulação dos currículos surgiu a figura do pedagogo, como a pessoa que irá pensar o método de ensino e orientar o educador que terá a função apenas de transmissão de conhecimento.
As escolas de caridade que surgiram no período moderno não interessavam mais ao estado, e nem a classe proletária que começa a organizar-se, e questionava a educação que lhes era destinada tanto pelo estado quanto pela igreja. Surgiram experiências de escola voltadas aos ideais anarquistas e socialistas, que eram as referencias teóricas da classe trabalhadora daquele período.
Embora tenha ocorrido toda essa mudança na educação no período contemporânea, onde o estado tomou para si a responsabilidade de oferece-la de forma laica e gratuita abrangendo a todos, podemos nos questionar da eficácia de tal proposta.
Ao meu ver, algumas questões ainda continuam petrificadas como no período moderno. Como por exemplo,a divisão entre escolas particulares - e aqui poderíamos comparar com os colégios religiosos do período moderno - continuam voltadas para a formação de uma elite. Enquanto que as escolas públicas , que na sua maioria estão sucateadas, são destinadas as classes populares. É claro que não temos mais uma rígida separação entre classes sociais como se tinha no período moderno e nem podemos afirmar que as escolas particulares são só destinadas a uma elite. Encontramos nos dias de hoje, escola particulares não tão onerosas e também escolas publicas,embora raras, com qualidade de ensino admirável. A questão que se coloca na verdade é, se a mais de dois séculos a escola tornou-se estatal e universal por conseqüência, por que ainda hoje não podemos confiar nos seus serviços quando pensamos em qualidade de ensino ? Por que as elites, e até mesmo aos menos favorecidos (quando podem) preferem a escola privada ,que na sua maioria , continuam tendo um viés religioso? Por que essa inversão ´só ocorre no nível superior onde , é estatisticamente comprovado que as pessoas com melhores condições estão na “universidade PUBLICA e de qualidade”, enquanto os menos favorecidos estão pagando mensalidades nas universidades particulares ?
Penso que talvez esse meus questionamentos sejam prova, de que o sistema de ensino brasileiro em muito precisa e deve ser melhorado. Penso também que o primeiro passo já esta sendo dado, na medida em que estamos pensando sobre suas falhas e acertos. Convém agora continuar permanentemente esse processo de reflexão, unindo à ação seja enquanto educadores, legisladores , pensadores do ensino e mesmo enquanto cidadãos para dar continuidade no trabalho e mudança no que diz respeito aos rumos da educação.
este texto é um fragmento de um trabalho desenvolvido na disciplina de História da Educação - UFRGS 2007/02 - Samanta Piton Vargas
Um comentário:
muito bom este texto, mesmo.
é incrível como o ingresso na universidade pública ainda reproduz as desigualdades sociais - mesmo que haja cotas - pois a preparação para o vestibular permanece como uma modalidade extra de ensino, onerosa, onde os abastados são os que melhor competem por vagas em instituições de ensino superior públicas.
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