domingo, 27 de abril de 2008

a medida do meu coração

"Dizer que não foi bom pra mim
Fingir que não aconteceu
Querer que o tempo volte atrás
Por ti ou por qualquer razão
São coisas que jamais farei
Não cabem na medida do meu coração

Um dia o sol esclareceu
Que a vida é mais que essa paixão
Sorri ao tempo, me falou
Seu amanhã já começou
Eu visto as notas da canção
Com versos na medida do meu coração

Saudade, é claro, todo mundo sente
Não pode é ser maior do que a gente é
Tinjo a imensidão
Com tintas na medida do meu caro coração

Voltar para o mesmo lugar
É impossível, irreal
Viver é qual o correr de um rio
Jamais retorna
Achei o que é melhor pra mim
E o tempo já me deu seu sim
E meu samba-canção
Revela a medida do meu coração"



Ricardo Silveira e Pedro Luis



quarta-feira, 23 de abril de 2008

olhar...

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha

paulo leminski

Drummond

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos, minha lembranças escorrem
e o corpo transige na confluencia do amor.

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele nem cabe as minha dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Simples coisa nenhuma....

Amor

Secos & Molhados

Composição: João Ricardo - João Apolinário

Leve como leve pluma.
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Ah, simples e suave coisa.
Suave coisa nenhuma.
Suave coisa nenhuma

Sombra silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa.
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece

mar revolto...............

Angústia

Secos & Molhados

Composição: João Ricardo - João Apolinário

Agonizo se tento
Retomar a origem das coisas
Sinto-me dentro delas e fujo
Salto para o meio da vida
Como uma navalha no ar
Que se espeta no chão

Não posso ficar colado
A natureza como uma estampa
E representá-la no desenho
Que dela faço
Não posso
Em mim nada está como é
Tudo é um tremendo esforço de ser

Civilidade

Fobia social

Talvez tenha pirado na batatinha,ainda não consegui descobrir.Mas tudo que quero neste momento é distancia de pessoas...gente...homem..mulher...qualquer forma humana que se diz pensante.Gente pensa demais e age de menos. Pensa o que queria falar e fala o que não nem se quer pensa. Mente, engana,ri querendo chorar e chora pra impressionar.Chega de hipocrisias,quero férias de nós mesmos,um tempo longe desta parafernália digital que inventamos e sem a qual não conseguimos mais viver.

Queria passar uns dias no campo,longe desta massa poluída e fria onde passamos nossos dias.Quero ar puro,respirar ...respirar..respirar...Tô cansada de teorias,de papos intelectualóides que levam do nada para o nada,a não ser o próprio crescimento individual .Daqueles que se itulizam de ideais para desmosntrar sua capacidade intelectual.Seres que defendem o fim disso e daquilo,muito bem embazados, é claro,com um arsenal de filósofos e sociólogos da mais alta elite da teoria da qual defendem.Mas na verdade seus discursos de "salvar o mundo",não passam de um ensaio para suas futuras teses de mestrado.

Talvez , na verdade esteja me tornando uma "reaca", como muitos diriam,mas infelizmente essa é a visão que tenho do mundo onde vivo.



Achei isso hj vasculhando meu msn, nem lembrava que havia escrito. Foi escrito no dia 14/07/04 e parando pra pensar como ainda tá atual....

segunda-feira, 21 de abril de 2008

vinho..........................

O NOSSO MUNDO

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...

Os meus sonhos agora são mais vagos
O teu olhar em mim, hoje é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e presságios!

A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!...As nossas bocas juntas!...

Florbela Espanca

sonetos

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque

domingo, 13 de abril de 2008

mais

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina

Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.

Clarice Lispector

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Agora por inteiro, sem fragmentos.

Agora por inteiro, sem fragmentos.

O Tempo que não se perdeu

Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medida para contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo.

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos.

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser.

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder.

Terminaram-se os lamentos.
Neruda

terça-feira, 8 de abril de 2008

A descoberta de Luiza – parte I

Luiza não era uma mulher bela, não chamava a atenção nem por sua beleza nem por sua feiúra. Passava pelos dias e eles passavam por ela com tamanha indiferença que um não notava o outro.

Os dias tinham se tornado apenas isso: dias.Constantemente cinzas e sem cor.

Olhava-se no espelho religiosamente todas as manhãs. Já não pensava mais, apenas olhava, contemplava a imagem de alguém que ela, com o passar dos anos, não reconhecia. Havia tornado-se um vulto, sem brilho e sem cor.

Porém ninguém podia afirmar que não era feliz, realmente o era. E ela acreditava piamente nisso, que sua vida embora cinza como os dias, estava no tom certo.

Tinha seu futuro inevitavelmente, naturalmente certo. Filhos, cachorro no jardim, geladeira cheia com contas penduradas na porta. Casa limpa, vaso com flores, cheiro de lavanda. Essa seria a sua vida, calma e tranquila. Era uma proposta, agradável, confortável e segura.Não se achava capaz de viver outra coisa.

Só que numa das muitas manhãs da sua monótona vida, Luiza estava como de costume, em frente ao espelho inerte, esperando um instalo para acordar de fato. E nesse dia percebeu algo diferente que não sabia identificar o que era. Estava no olhar. Ou não? Não sabia ao certo Fixou profundamente seus olhos no espelho, e como há muito não fazia, dedicou minutos preciosos da sua atenção a si mesma.Olhou seu corpo, seus seios, os tocou carinhosamente. Em seu rosto analisou todos os seus traços como se estivesse se vendo pela primeira vez.

De repente desviou o olhar assustada. Viu algo que não entendeu. Seus olhos brilhavam como ela há muito não via. Não quis dar atenção. Colocou seus óculos escuros e o problema estava resolvido. Se realmente havia um brilho em seus olhos, iria guarda-lo para si, não tinha a intenção de compartilha-lo com ninguém.

Os dias passaram e ela se sentiu remoçando.Estava diferente. Não passava mais desapercebia e nem seus dias continuavam cinzas. Todos notaram em seus olhos aquele brilho colorido irradiante, apaixonante. Já não havia mais como esconde-lo.

Começou a procurar os velhos discos do Chico e passava os dias cantarolando suas canções. Voltou a ler os livros de poesia que estavam destinados as traças em sua estante.

Sentia um sentimento de imensa compaixão para com a humanidade e chegava a achar-se ridícula por isso.

Toda essa intensidade perdida com os anos estava de volta. Ela não conseguia descobrir o que a trouxe novamente. Simplesmente passou a curtir ter todas essas sensações de novo. Parou de procurar as respostas, era gostoso sentir-se assim.

Continua....

Samanta P. V

08/04/08

segunda-feira, 7 de abril de 2008

certezas...

Incertezas....

E se amanhã tudo que restar for dúvidas?
E se tudo fosse uma mentira?
E se nada de bom restar na lembrança?
E se a dor não se dissipar?
E se os sonhos não se realizarem?
E se o portal se fechar?

domingo, 6 de abril de 2008

Neruda..........

Integrações - Pablo Neruda

Depois de tudo te amarei
Como se fosse sempre antes
Como se de tanto esperar
Sem que te visses nem chegasses
Estivesses eternamente
Respirando perto de mim.

Perto de mim com teus hábitos,
Teu colorido e tua guitarra
Como estão juntos os países
Nas lições escolares
E duas comarcas se confundem
E há um rio perto de um rio
e crescem juntos dois vulcões.

Perto de ti é perto de mim
E longe de tudo é tua ausência
E é cor de argila a lua
Na noite do terremoto
Quando no terror da terra
juntam-se todas as raízes
e ouve-se soar o silêncio
com a música do espanto.
O medo é também um caminho.
E entre suas pedras pavorosas
Pode marchar com quatro pés
E quatro lábios, a ternura.

Porque sem sair do presente
Que é um anel delicado
Tocamos a areia de ontem
E no mar ensina o amor
Um arrebatamento repetido.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

um poeta...uma idéia....

De quem é o poder?

Cazuza

Composição: Cazuza / George Israel / Nilo Roméro

De quem é?
De quem é?
De quem é o poder?
Quem manda na minha vida?
De quem é?
De quem é?

Uns dizem que ele é de Deus
Outros, do guarda da esquina
Uns dizem que é do presidente
Outros, quem vem lá de cima

De quem é?
De quem é?
Quem inventou essa tara?

Uns dizem que ele é do povo
E saem pra trabalhar
Outros, que é dos muito loucos
Que não têm contas a prestar

Me dê poder e eu te mostro
O mais inteiro dos sonhos
Porque as verdades da vida
São sempre ditas na cama

É do ativo ou do passivo?
De quem é?
De quem é?

Às vezes você me domina
Pensando que eu sou teu dono
Às vezes você me dá nojo
Seguindo feliz o rebanho
Onde vai dar tudo isso?

Prender alguém ou ser preso
Quem é o mais infeliz?
Eu, dando ordem o dia inteiro?
E você, que nem sabe o que diz?

Me dê poder e eu te mostro
O mais inteiro dos sonhos
Porque as verdades da vida
São sempre ditas na cama