segunda-feira, 5 de maio de 2008

continuação Meio silêncio....

Um menino. Aquele ar espantado. Um pouco trêmulo. Cigarro atrás de cigarro. Tenho medo de tocá-lo. De quebrá-lo.

Eu disse: a lua está tão bonita que me dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e pesa. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre. Não sei, não quero pensar.Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar emais que falar preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. o espantp esbarra em paredes pedindo exteriorização....
... Nesse segundo cheio de riso alguma coisa se adensa. Nossos pés pisam em pedras. Mas por cima dos sapatos,sinto que são frias e duras, e sei que seu siginificado está em nós, não nelas. Uma vontade que a manha não venha nunca. Vai voltar grande busca. As noites vazias. Amargura de estar esperando. Repetir mil vezes: não quero esperar. e a certeza de que esse não querer já trz implicitas as longas caminhadas, o olhar devassando os bares, a nausea, os olhares alheios, a procura, a procura: seus ombros largos, um jeito de quem pisa mesmo em luas, não em pedras.

"Um menino assustado querendo mascarar o medo com a agressividade. Um menino. Curvo-me para ele. Tão esguio que meus braços o rodeariam por completo. Por um instante ele ficaria inteiro preso dentro dos meus limites."

O rosto dele próximo do meu. Mais adivinho do que vejo o verde dos olhos deslizando pelas órbitas. A sua mão toca no meu ombro, sobe pelo pescoço, me alcança a face, brinca com a orelha, alcança os cabelos. O seu corpo cola-se ao meu. A sua boca vem baixando devagar, vencendo barreiras, colando-se à minha, de leve, tão de leve que receio um movimento, um suspiro, um gesto, mesmo um pensamento. Estou em branco como a noite. Ele me abraça. Ele está perto.

Ergue o braço lentamente, afunda as mãos nos cabelos de outro. E de súbito um vento mais frio os faz encolherem-se juntos, unidos no mesmo abraço, na mesma espera desfeita, no mesmo medo. Na mesma margem.

Um comentário:

Gabriel Zatt disse...

Nossa! Muito lindo.
Não vou construir nenhuma analise ou comentario maior.
Só queria dizer que li e gostei.
Beijo!