sábado, 3 de maio de 2008

Meio Silêncio....

Desconhecidos: como isso é, a um só tempo, terrivelmente bom e terrivelmente assustador. Pensar que eu estava só, no bar, esperando nem sei que, nem sei se quer se esperando: de repente os olhos me buscando no balcão em frente. Verdes. No primeiro momento foi a única cisa que percebi. Verdes, os olhos, atrás da fumaça, no meio das gentes, na frente do espelho. E o espelho refletindo 0 meu espanto. Depois vi os cabelos, a boca, os ombros. Mas era no olhos, só nos olhos, que se fixava aquele mudo apelo, aquele grito. Nem sei. Aquela clara maldição. Saí,saiu. Não dissemos nada. Eu só tenho esperas. Ele traz a tranquilidade de mais nada esperar.

Fragmento do conto Meio Silêncio de Caio Fernando Abreu

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