segunda-feira, 19 de maio de 2008

vagando...

Caminho sozinha, retornando. Não sei para onde, não sei para quem. Brinco de não pisar nas divisas da calçada, assim parece que o percurso fica menos tenso. Pelas ruas, alguns resistentes ainda buscando o último gole na garrafa vazia. Um casal encostado na porta de um sobrado, beijam-se incessantemente, parecendo não se importarem com o mundo ao seu redor.
O ar frio da madrugada me resseca as narinas. Sinto minhas mãos encarangadas, fecho meu casaco até o pescoço. Penso em acender um cigarro para me aquecer. Procuro na bolsa, acho o maço já amassado, e a triste constatação: o último remanescente da noite, já meio torto como eu. Não encontro meu isqueiro, mais um que perdi.
A agonia para dar logo uma tragada, faz eu acelerar o passo, e procuro numa espécie de visão de raio x a imagem de outra chama para saciar logo meu vício.


Samanta Piton Vargas - abril/2008

Um comentário:

André disse...

dá um blues do caralho!!!